E agora você foi embora. E dessa vez foi mesmo. ( Embora parte de mim esteja implorando para que você apareça aqui mais tarde dizendo: ‘E aí, como ta ?’ ) Já disse que você não mudou nada, né ? E isso continua me surpreendendo cada vez mais. Você me aparece e diz que está trabalhando na prefeitura da sua cidade, já está morando sozinha e se sustentando como gente grande, mas ao mesmo tempo me cita uma cena do Rurouni Kenshin e me diz que se lembra de tudo. Me diz também que deixou de ser criança, mas ainda morre de rir com minhas piadas sem graças. Diz que deixou de ser aquela adolescentezinha que fazia drama por qualquer besteirinha se tratando de amor, mas quando vê que eu estou fazendo drama por uma fantasia idiota, tem a coragem de me apoiar e dizer para eu não desistir por mais que seja impossível. Diz que agora é alguém com responsabilidades e aprendeu a viver, mas seus olhos ainda me parecem aqueles de uma criança que acredita em contos de fadas e por falar nesses, me diz que ainda tem sonhos como daquelas princesas e acredita que um dia podem se realizar. Diz que quando conversa comigo, me vê como um daqueles príncipes da Disney que sempre aparece para beijar a princesa no momento certo. Mas não percebe, por mais adulta e responsável que seja, que está errando os papeis. Princesa aqui só você e o príncipe que for destinado a te beijar naquele momento certo, ah, esse tem sorte. Me diz que gostaria de ficar para sempre, aqui mesmo, nesse meu quarto bagunçado e fedido, mas me beija se despedindo como se nunca mais fosse voltar. Me diz que agora é uma pessoa forte e crescida, mas ainda leva algo meu para se lembrar desse final de semana, como uma menina que pega o papel de um bombom para colar na agenda.
Vivi muito nesses três dias, poucas horas que passamos juntos. Droga, não tomei anti-depressivo em nenhum desses dias.
Você desceu comigo até o chão, suavemente, como sempre fez. Me deu um abraço quente, um beijo romântico e disse Adeus como se não passasse de um ‘até mais’. Fez tudo isso para que meu coração ficasse calmo, já que por alguma razão você me viu como alguém desesperado por amparo e resolveu me acolher com seus sentimentos plenos. Eu lhe agradeço por tudo isso. Mas infelizmente, você me mostrou que eu preciso mesmo de amparo. Que sou fraco e tão solitário que não pude perceber o quão sozinho fiquei largado nesse espaço. E agora vai demorar um pouco até meus olhos se acostumarem com a escuridão a ponto dela não me incomodar novamente. Mas está tudo bem, pois se esse for o preço que eu pago pela felicidade vivida, que assim seja. Se perceber que meu único sonho não baseado no meu insaciável desejo capitalista é apenas um sonho no mais profundo sentido da palavra, porém ainda assim deve valer a pena se agarrar a ele, é o que você me deixa de ‘ruim’, vale a pena.
Você foi. Suas palavras vão ficar aqui, na caixinha de música.
Nenhum comentário:
Postar um comentário