segunda-feira, 25 de maio de 2009

Machine

É como acordar sem um braço. Você sente falta e sabe que sua vida vai ser diferente em todos os sentidos, só que não há maneiras de retornar aquela perda. Existem próteses de todos os tipos, bonitas e feias, leves ou pesadas, de plático a metal, porém por mais que você escolha uma que combine, ainda vai ser uma prótese, algo falso usado para disfarçar a perda, para te consolar ao olhar para seu lado e fazer com que pense: “Que bom, ainda tenho um braço”. Você pode se apegar aquela prótese, se acostumar, ela pode ser tão útil quanto um braço de carne e osso seria, tão habilidosa que as pessoas chegariam a desconfiar e durante o dia você se contentaria com aquela maravilha da ciência, afinal não deixa de ser um braço. Mas todo dia tem seu fim, enquanto o mundo é mundo, o sol irá se pôr e a lua irá tomar seu brilho ao lado das estrelas, e é nesse momento que você irá precisar se livrar daquele plástico falso e ver que ainda está te faltando um braço para se apoiar quando vai dormir.

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