A terra que nos conhecíamos em nossa doce inocência parece ter sido deixada para trás.
Os olhos que enxergavam tão longe estão cegos e as pernas que caminhavam toda aquela distância estão morrendo de doenças desconhecidas.
Os campos longos que pintavam a paisagem de verde, agora não passam de mares de sangue e corpos esquecidos, perdidos após longas batalhas.
Costumávamos lutar contra nossa própria raça apenas devido a nossa ganância e nosso egoísmo, mas não sabíamos que aqueles eram dias de ouro e o quanto aquelas guerras travadas tão insignificantemente eram fáceis e indolores. Se fossemos os de hoje ontem, saberíamos o quão valioso é nosso sangue e nossos corpos, não travaríamos mais guerras e seriamos mais gentis.
Mas somos humanos, imperfeitos, e apenas aprendemos lições quando já é tarde e nos resta olhar para o passado saudosamente.
Nossos filhos, que na época dizíamos ser a razão de nossas incontáveis batalhas, estão agora mortos ou se tornaram demônios, devido nossa própria ignorância.
Finalmente nos unimos e criamos uma colossal nação, onde os nossos avôs diriam ser uma Utopia. Extinguimos a fome mundial, o que parecia ser impossível, abolimos também nossas diferenças e agora nos tratamos como um, o que parecia ser impossível. Os grandes empresários e políticos, os que foram um dia, agora são gente do povo e a corrupção não existe mais. Em nosso mundo, tudo o que era impossível no passado, é verdade.
Viveríamos em uma Utopia, sem dúvida, se não fosse os reais motivos que nos fizeram evoluir como humanos.
Hoje, vivemos em uma gigantesca nação que comporta 2,6 bilhões de humanos. E esses são todos os vivos no planeta Terra.
O que aconteceu com os outros 5,2 ? Ou estão dilacerados nos campos ou se tornaram um deles.
Os que restaram, aguardam a morte ou se arriscam nos campos e põe sua vida em risco por algo que finalmente conseguiu rasgar com até o último risco de esperança em nossos corações.
No passado, nossos medos eram irracionais e quando nossas crianças diziam-nos que haviam monstros nos guarda-roupas ou embaixo da cama, deixávamos de crer.
Hoje quando escutamos isso, pegamos nossas espadas e tochas de fogo, e partimos para a batalha em que na melhor das hipóteses, retornaremos com algum suspiro de vida.
Mês do Sol de Outono, Ano 1541 D.D.
Retirado do diário do Josué Amadeus
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