Havia um menino solitário no balanço da pracinha às sete horas da noite. As luzes já estavam todas acesas, mas não havia ninguém brincando no parquinho. Ele balançava de um lado para o outro, olhando fixamente para a terra abaixo de seus pés.
Uma senhora costumava passar ali todos os dias, ao retornar do seu trabalho. Ela estava acostumada a ver várias crianças brincando, sorridentes e adorava sentar e ficar observando aquilo. Sonhando com o dia que fora capaz de compartilhar aquilo com alguém.
Ela olhou para aquele menino sozinho com um ar de triste e não pode segurar seus impulsos, foi até ele e perguntou:
- O que você tem, minha criança ?
- Meu brinquedo, senhora...
- O que houve com ele ?
- Minha mãe jogou fora, porque disse eu já estava velho para brincar...
- Ara, mas você já me parece um rapazinho, não precisa dele, vá brincar com seus amigos !
- Ele era meu amigo, senhora, era como meu irmãozinho que se foi.
- Oh, se anime ! A senhora aqui compra outro para você.
- EU NÃO QUERO OUTRO ! Eu queria meu irmãozinho...
- Tá bom, ta bom. Então não podemos fazer nada, mas já está na hora de você crescer, menino.
- Senhora, pode me dizer uma coisa ?
- Claro.
- Você é casada ?
- ... Não, eu sou viúva.
- Mesmo ? Como você se sentiu quando percebeu que não ia mais acordar e ver seu falecido senhor ?
- ...
Ela se sentiu presa, como poderia um menino saber tamanha dor por causa de um brinquedo ? Mas naqueles olhos inocentes ela podia ver que a dor era comparável a sua ao ver seu amado sendo enterrado. Naquele momento um grande buraco de compaixão surgiu em seu coração, ela sabia que não iria poder fazer muito pelo menino, mas ao menos iria tentar.
- Então que tal ? Nós podemos ser amigos. Eu tentarei ser um pouco do que seu irmãozinho foi para você, e você tenta ser o que meu senhor foi para mim, assim nenhum de nós dois irá ficar mais sozinho.
O menino pensou, mas não por muito.
- Está bem, senhora ! A partir de hoje você é minha irmã mais velha !
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