Ele conseguia ver a saída. Estava ali, bem a sua frente. Ainda podia ver os raios do sol entrar pelas brechas nas longas árvores a cima de sua cabeça e também via seu vilarejo longe nas montanhas, e ele caminhava. Sempre olhando na direção de seu amado vilarejo, mas os Deuses não queriam sua volta.
Suas caminhadas logo o cansavam mais rápido. Sua barba agora já era longa e seus cabelos desgrenhados. Quanto tempo se passara desde que fora a floresta caçar para sua família ? Um ano ? Dois ? Dez ? Pelo o que ele pensava nenhum dia sequer havia se passado. O sol não se punha, o vilarejo ainda estava lá a sua frente. Porém seu corpo estava magro e sua mente confusa. Ele estava cansado de perseguir algo que apenas podia enxergar, mas nunca sentir o cheiro novamente. Correr por algo que poderia está lá ou não. E ele continua, ainda assim, seguindo para aquela paisagem sem nem ao menos se perguntar o porquê, se questionar ou pensar em tomar outro caminho. Ele queria sentir o conforto de sua sala novamente. Enquanto a lareira esquentava o cômodo e sua esposa sentava em seu colo enquanto ambos contavam uma história para seu filho. Ele queria beijar seu filho e dar-lhe boa noite enquanto o colocava dentro das cobertas, ele ainda queria deitar-te ao lado de seu amor e ter um sono tranqüilo.
Aquele homem já deveria estar morto há anos, mas ainda continuava se apegando no seu desejo.
Era algo tão forte, que nem mesmo se deu conta que já havia morrido há muito e mesmo se soubesse, tudo que ele queria era retornar para sua casa.
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