sábado, 31 de julho de 2010

Broken Wings

Ela disse para mim naquela noite escura, sem estrelas, enquanto a brisa gelada do mar batia em nossos rostos e o barulho da baixa rebentação enchia nossos ouvidos e nossos cigarros queimando pouco: “Eu queria ser diferente do que sou. Queria ser eu mesmo não sendo eu, ser alguém como eu gostaria de ser e não o que aparento ser.”
Era assim que ela era: Diferente dela mesma, igual a quem via ela e o oposto do que gostaria de ser. Ela morava em uma cidade litorânea, morava onde muitos iguais viam passar suas férias e curtir as praias. Ela era diferente dos iguais, ela tinha apenas uma verdadeira amiga e um amante. Surpreendentemente, ela demonstrava não precisar de mais nada. Demonstrava ser diferente de quem era e igual a quem não gostaria ser. Ainda assim, dizia-se feliz. Era feliz como gostaria de ser e demonstrava o oposto de como gostaria. Não tinha culpa, não ela. Se vestia e se penteava diferente do que ela não era e sim de como ela gostaria de ser; sobre isso ela tinha controle. Seu amante, sua amiga, ambos a viam como ela demonstrava ser: Totalmente o avesso de como realmente era, diferente de como gostaria de ser e igual a alguém que não era ela. Mas isso ela suportava, era feliz como demonstrava e infeliz como gostaria.
Ela, aquela que demonstrava ser diferente do que era, era como não gostaria de ser e gostaria de ser o que não poderia, teve que se mudar. Primeiro para perto e depois para longe. A amiga; essa se foi. Essa se foi e talvez até retorne um dia. O amante; Esse ficou para longe, muito longe mas ainda existe a conexão.
Ela mesmo longe de ser quem gostaria de ser e demonstrando ser quem não é, ainda não se perdeu ou desistiu. Ela ainda é quem não aspirava ser e ainda passa a imagem do oposto do que é.

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