segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Murder
A chuva desabou quando nenhum dos dois irmãos esperava. Afinal, era um dia de sol perfeito para pescar. O irmão mais velho tinha conseguido bater seu recorde no rio aquele dia; puxara três corvinas e uma bicuda de dar inveja a qualquer pescador profissional, para o irmão mais novo, no entanto, o dia não tinha sido nada produtivo; Além de arrebentar a linha diversas vezes, não conseguira pegar um só peixinho miúdo. Para a sorte de ambos, já estavam se arrumando para ir embora quando as gotas começaram a salpicar suas faces, mas não demorou muito para o que parecia ser apenas uma garoinha de verão se transformar em um temporal fora de época. Ambos terminaram de empacotar suas tralhas muito rápido ( Embora o irmão mais velho tivera todo cuidado para guardar seus peixes no isopor de pesca do pai, e não se preocupava muito com a chuva enquanto o fazia. Tinha a paciência de um monge quando se tratava de peixes. Não era exatamente uma paixão, mas algo que tinha herdado de seu pai por puta e espontânea pressão. ). Não demorou muito e já estavam correndo pela floresta adentro em busca de um abrigo. Conheciam o lugar, e sabiam que o máximo que poderiam encontrar seria uma árvore grande com folhas juntas o suficiente para protegê-los da chuva. Poderiam, sim, terem saído em disparada até a casa onde moravam, mas era um caminho distante do rio, além de uma estradinha pobre e conturbada. Com aquela chuva, seria mais fácil ambos atolarem na lama do que chegarem em algum lugar. Se distanciaram do rio alguns poucos metros e, para surpresa do irmão mais velho que se dizia conhecedor da pequena floresta, avistaram uma luminária que pendia silenciosamente a frente de ambos. O irmão mais velho, orgulhoso como só, se negava a ir mais adiante. “É sua cabeça te pregando uma peça”, dizia para o irmão mais novo. Ele, por sua vez, insistia em ir. Era curioso e adorava ver quando o irmão mais velho estava errado em alguma coisa ( Eram os únicos momentos que ele poderia estar certo ). “Vamos, irmão, não vai lhe custar nenhuma moeda e quem sabe assim não encontramos um lugar para ficarmos secos ?”. Depois de muitas frases gastas para convencer o irmão mais velho, finalmente concordaram em seguir até onde a luminária poderia estar.
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