quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Midnight Shooter

“Fique aqui !” Gritou o irmão mais velho enquanto saia em disparada pelo corredor escuro. “Aqui ... ?”, a pergunta boba do irmão mais novo saiu para ninguém. Quando se deu conta de que estava sozinho no meio da noite em uma estalagem que nunca tinha ouvido falar, com uma baita chuva caindo lá fora e com seu irmão mais velho perseguindo uma garota que nem ao menos conhecia, o medo desceu sobre o pobre irmão. E, como em toda história para se formar o ambiente completo compatível com a altura do medo de quem a está vivendo, a luminária se apaga com um sopro forte de vento, deixando o irmão mais novo não apenas sozinho em um lugar desconhecido, como também no escuro. Mas ele não era bobo, sabia que tudo que precisava era de uma boa quantidade de óleo para deixar a lamparina acessa. Com isso em mente, saiu da pequena sala e se deu de cara com um largo corredor ( A esse tempo, o corredor pareceu metros mais cumprido ao olhar dele, mas tinha certeza de que era apenas a escuridão ), foi andando a passos apressados, mas não chegava a ser uma corrida. Se perguntava onde o irmão mais velho poderia ter ido e como poderia ter ido tão longe em tão pouco tempo. Ao longe, ele via um quarto iluminado. Era possível ver as sombras através das paredes de madeira e seda. Junto as sombras, ele ouvia vozes muito agudas e com tremendo pavor se aproximou o suficiente para escutar as vozes e não o bastante para que elas o escutassem. “E então, e então ?”; “O que devemos fazer ?”; “Já faz tanto tempo que tivemos meninos tão jovens assim !”, as vozes viam de pessoas diferentes, ele sabia, mas pareciam todas iguais. Todas ‘rasgadas’, como se não viessem de garganta humana. “Ara, ara ! Devemos fazer o de sempre !”; “Eu não agüento mais o de sempre !”;”Fazem ANOS que não comemos o de sempre !”; “Não importa ! Eu não quero !”. As vozes se tornaram mais rasgadas e agudas até que entraram em uma discussão que para o irmão mais novo era impossível definir o que estavam falando. Pelas sombras, ele via que as mulheres estavam se amontoando uma em cima da outra, como se estivessem brigando. Fez força para desviar o olhar e ir embora. E conseguiu, mas não antes de ter um vislumbre de uma provável peça de sua imaginação. No meio de todas aquelas mulheres amontoadas, ele pôde ver protuberâncias, praticamente asas bem pequenas formando sombras naquele bolo disforme.

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