domingo, 30 de agosto de 2009

Something

O irmão mais novo tinha convencido a si de que era apenas ilusão; Não teria como ter asas ali, a não ser que as mulheres mantivessem um pássaro bem grande em cativeiro, algo que em seu bom senso julgou ser impossível. Afastou da mente aqueles pensamentos e se voltou a procurar pelo óleo para sua luminária, acabou se vendo no que parecia ser o quintal da estalagem. Era gramado até onde seus olhos podiam ver, longo corria um pequeno rio que fazia um ruído baixo, como se estivesse com receio que alguém ouvisse sua água correr pelas pequenas pedrinhas em seu fundo. Não havia ponte para cruzar o rio que cortava o caminho e também não havia necessidade do irmão mais novo atravessar, a última coisa que gostaria era sair da estalagem sem seu irmão mais velho ( Infelizmente, iria se arrepender de não ter aproveitado essa chance ).
Encontrou o caminho de volta para dentro da estalagem sem muita dificuldade, antes mesmo que desse mais de um passo para dentro, uma das mulheres o surpreendeu com um grande sorriso estampado no rosto. “Ara ! Você está perdido, meu docinho ?Venha ! Venha comigo que te levarei de volta”. Passou um braço por volta dele e o levou adiante pelo corredor. Agora estava repleto de claridade, velas foram colocadas em todos os cantos de modo que espaço algum ficasse escuro, mas para o irmão mais novo o corredor se tornara bem mais assustador daquela forma. As velas criavam sombras que iam e vinham nas paredes, o vento fraco que conseguia penetrar fazia desenhos cada vez mais horripilantes com as chamas que bruxuleavam sem parar. Era novo, mas já herdava o orgulho da família. Não queria se mostrar temente a sombras para a mulher estranha, puxou o máximo de ar que pode e com um longo suspiro se colocou na postura mais respeitável que conseguiu, estampou um sorriso na cara e se deixou levar pela mulher que também sorria. Andaram o (enorme) caminho todo sem pronunciar uma só palavra. A mulher apenas continuava com aquele sorriso enorme na face, o irmão mais novo descobriu depois de algum tempo que não confiava naquele sorriso; tinha algo errado ali e não sabia se queria descobrir mais do que isso. Sua linha de pensamento foi cortada quando outra mulher saiu de uma pequena porta ao lado esquerdo do corredor. “O que estão fazendo aí ? Venha ! Eu acompanho vocês.” Assim como a primeira, também colocou um sorriso na face e foi para o lado do irmão mais novo e tomou-lhe a mão para colocar junto a dela. Naquele sorriso, ele também não confiava. E afinal, que corredor era aquele ? Sempre iluminado, sempre distante e infinito. Imaginou qual seria o tamanho daquela estalagem. Poderia jurar já estar caminhando a mais de meia-hora e a paisagem não mudava em nada.

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