Ele bebeu de Sua Água com paciência, dessa vez tanto para hidratar seu corpo quanto para saboreá-la. No dia de hoje Ele possuía certa abundância do líquido e tempo para Ele não faltava. Em fato, o tempo em si não existia, já que a noite não caía mais e a claridade do sol era a única dominante.
Muitos do Mundo Antigo sofreram dificuldades para se adaptar as novas condições, foram muitos os que morreram por não conseguir se adequar. Continuavam acordados, a espera da noite cair, até que seus neurônios se deteriorassem por falta do sono REM. Os poucos que se adaptaram, ainda carregavam dificuldades.
As pessoas nas pequenas mesas do Saloon olhavam para Ele desconfiados. Era um estranho, um estranho que decidiu se aventurar na terra dos mortos. Os que viviam ali, pagariam para sair, os que passavam por ali nem se quer paravam para reabastecer suas provisões. Mas não Ele. Ele fez questão de parar, sentar-se no balcão e beber Água. Ele fizera questão de pagar com uma Troca de valor altíssimo por poucas coisas. E Ele tinha Armas. Estranhamente não metralhadoras, escopetas ou rifles. Pistolas que nem mesmo algumas pessoas do Mundo Antigo reconheciam e que pela aparência não poderiam causar muitos danos.
E tinha ela. Uma mulher jovem, de corpo magro e seios firmes. Pele queimada pelo sol e cabeleira castanha. Ao contrário Dele, ela devorava sua comida com voracidade e bebia de sua Tequila como se não passasse de Água do rio. As pistolas em sua coxa passavam um pouco mais de ameaça, aquelas sim eram armas perigosas.
Da bancada do segundo andar do Saloon alguém se apoiava.
Seus cabelos loiros desciam pelo contorno de seu rosto e davam brilho a seus olhos azuis. Era o único que não usava óculos escuros. Vestia um sobretudo marrom pesado e seu olhar se fixava no Homem que bebia Água sentado no balcão.
Seus lábios se apertaram e seus punhos cerraram no corrimão da sacada. Seus olhos se encheram de fúria e de sua boca saiu o grito:
“Assassino !”
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