quinta-feira, 6 de maio de 2010

Undercurrent

Elisa sentia os olhares de toda a cidade virados para ela, uma única gota de suor descia de sua testa.
Para ela era estranho. As nuvens eram tão negras a ponto de conseguir filtrar o sol em algo tolerável aos olhos, porém ainda assim todos ali usavam óculos escuros. Cruzou os braços e olhou em volta: Estava quase tudo da mesma forma que havia deixado. Antes daquilo, Lúcifer estava com ela então não tinha nada a temer. A cidade se controlava dentro dos padrões de ‘humanidade’ e o instinto de sobrevivência não aflorava tão facilmente sob suas peles.
Mas Lúcifer se fora um dia e o Caos se instalou ali. As nuvens antes criadas apenas para filtrar o sol, começaram a descarregar eletricidade e destruir a cidade junto com seus habitantes. Seus habitantes, com fome de vida passaram a devorar os corpos dos mortos, e quando esses não eram o bastante, devoravam os vivos. Claro, isso só durou um tempo, tempo o bastante para outro Soberano assumir poder da cidade e manter o controle. Porém este era diferente de Lúcifer, não gostava da ordem e tinha obsessão pelo poder. Por subordinados e pelo Caos. Elisa nunca o viu ou ouvira de sua fisionomia, mas não pôde mais suportar seus capangas brincando com as pessoas da cidade e fugiu.
Com uma baque, a porta atrás de si se fecha e corta os pensamentos de Elisa. Ele agora vestia um cinto equipado com duas pistolas com cabo de madeira polida, ao redor do cinto, balas douradas brilhavam ao menor sinal de luz.
Se dirigiram ao Saloon.
Se dirigiram ao balcão onde um bar tender mal humorado, sujo e fedendo a lavagem atenderam-nos.
“Água”, ele disse.
Elisa o olhou como quem está em dúvida se tem permissão para pedir algo ou não.
“Coma o que achar necessário, Filha.”
“Carne seca e tequila.”
O bar tender a olhou desconfiado, fitou ambos de cima a baixo. “O valor de Troca da Tequila é grande, minha querida.”
Ele tirou de sua mochila calmamente uma pequena bateria de Lithium e um carregador, colocou os dois sobre o balcão e ofereceu ao bar tender. Os olhos saltaram das órbitas e suas mãos imediatamente puxaram os itens para perto de si. “Há algo mais que posso oferecer aos respeitáveis ?”
“Prepare-me provisões para dois dias, duas pessoas.”
“Mas é claro !”

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