terça-feira, 4 de maio de 2010

Talon Injury

Ele via uma longa rua que se estendia além de onde sua visão enxergava.
Ele via construções dispostas em ambos os lados da rua.
Construções que não seguiam um padrão, algumas eram altas e bonitas, outras baixas, feiosas e destruídas. Algumas levantadas com tijolos vermelhos coberta por um reboco pobre, outras com madeiras desalinhadas e telhados de amianto cinza. Embora todas fossem fora do padrão, havia similaridades entre todas: Eram decadentes, no fim de suas vidas.
Ele observava que havia homens armados caminhando entre alguns dos mais pobres casebres e nos mais ricos, homens sentados em cadeiras de madeira ao lado dos portões segurando escopetas com chapéus surrados abaixados na altura dos olhos. “Guardas”, pensou Ele. “Mas apenas disfarce. Os que vão e voltam são os que devo me preocupar, eles que guardam o real tesouro.”


Elisa sentia o odor pútrido dos cadáveres assim que adentrou na rua da cidade. Viu Ele cobrindo o nariz e a boca puxando a bandana escura de seu pescoço.
Elisa viu que boa parte das casas estavam destruídas e que raios não paravam de cair em grandes antenas de metal nas construções mais altas. Viu, também, que nos cantos escuros haviam poças de sangue e movimentos intensos.
Elisa sentiu o gosto sangrento e molengo do fígado humano que era devorado por um abutre magro no meio da rua. Sentiu uma pontada de dor nas costelas quando olhou para um cão mutante de cinco pernas roer os ossos de um defunto já sem pele e carne encostado em um muro de madeira.
Caiu-se sobre as pernas, como se todas as suas forças fossem sugadas para um buraco negro quando ela viu o terror a sua frente. Dois homens largos, com chapéus grandes arrastavam um corpo para uma grande pilha escura no centro da rua. Balançando-o, jogaram junto ao resto e saíram como não fosse nada.
Levantou seus óculos escuros e viu que a grande pilha eram corpos humanos. Alguns já haviam sido privado de seus órgãos internos pela fome insaciável dos abutres, outros ainda mantinham o corpo fechado, apenas com olhos devorados e orelhas dilaceradas. O fedor apenas crescia vindo da pilha de mais de 2 metros de cumprimento de pura morte.
Elisa olhou para Ele na esperança de algumas palavras de conforto, algo que a ajuda-se a levantar-se e desviar sua atenção daquela carnificina, mas Ele apenas observava a frente.
Ele observava como observaria qualquer praia em um dia de sol fraco.

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