O medo se alojava perfeitamente na cavidade antes vazia de seu coração. Os poros de sua pele estavam abertos e o suor escorria gelado pelo seu corpo. Seus olhos fechados e seus lábios movendo-se freneticamente em uma espécie de reza desesperada em busca da salvação, mas já havia se passado o tempo de buscar pelo Salvador para ela. Era tarde para tentar voltar pelo mesmo caminho que a levou a esse ponto. A estrada de ladrilhos negros agora não passava de um grande Cânion rasgando e limitando seu caminho de volta.
Ela estava de frente com seu destino, finalmente. Todas suas decisões a levaram àquele lugar e nenhum outro, mas nem por isso era justo. Nada fora justo em sua vida, afinal. A não ser o medo. Era o único que andava de mãos dadas a ela todo o tempo. O único que deixava seus cabelos castanhos cobrirem seu rosto no meio da vergonha. O medo era seu único verdadeiro amigo, e agora, no final de tudo, ele a estava traindo.
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