quinta-feira, 24 de junho de 2010

Birch White

Parei para olhar no final do corredor e “Droga”, pensei eu, “O final é realmente assim ? Parece um quadro incompreensível”. Para minha sorte ( Ou azar ) eu não estava sozinho ali, tinha um velho amigo que conseguia enxergar melhor do que eu. “Acalma-te, criança. Apenas hackearam seus olhos. Isso aí é pura ilusão, pode ir andando que você sairá daqui, vamos eu te guio.” Segurando minha pequena mão ele me puxou confiante para dentro daquelas cores e espaços distorcidos. “Vou ser esmagado, isso sim.” Pensei com certo desespero, minhas mãos estavam suando igual calda de rato. “Mas, bem, melhor lugar para morrer do que em uma pintura surrealista ?” Meu velho amigo com sua expressão assustadoramente serena apenas me guiou por espaços impossíveis e dobras indescritíveis. Ao sair de lá, aparentemente meus olhos retornaram ao normal ( Suspeito que estava fora do alcance do hacker ).
“Viu, criança ? Confiar nos mais velhos tem suas vantagens.”, disse meu amigo sorrindo levemente pra mim.
Bem, não sei quanto a isso, mas sei que consegui sair daquele pesadelo ( Pesadelo que tanto gostava de sentir ) e me dei de cara com o que a maioria das pessoas considerariam como paraíso ( Ou Campos Elíseos ). Era bonito, agradável. Clima confortável. As flores tinham mais vida que a própria vida e o aroma era mais forte do que os perfumes do O Boticário. Eu sentei-me nas flores e senti um macio incomparável ( Nem as roupas lavadas pela minha avó eram assim, Deuses ! ) e com o vento, parecia que as pétalas estavam me fazendo carinho. ( Confesso que na hora o pensamento: “Que gay, dood”, me veio a cabeça, mas logo passou ). Olhei em volta, em busca do meu velho amigo, ele não estava. Eu me encontrava sentado sozinho no meio daquele vasto e pacífico campo. Bem, eu podia viver com aquilo. Era como se eu nunca tivesse fome novamente ou sede. Eu havia deixado de ser humano. Não parecia haver nenhuma necessidade tanto emocional quanto carnal. “Porra, isso é um sonho ou eu morri e não sei ? Não. Se eu tivesse morrido nunca que viria parar em um lugar tão bom quanto esse.” Pensei enquanto me admirava com a falta de necessidade e total satisfação.
Foi então que me senti como se estivesse saindo de um buraco coberto de lama e um segundo depois meus olhos se abriam.
“Ei”, ela disse me olhando com um sorriso safado.
“Ei...”, respondi ainda morrendo de sono. “Quando foi que você chegou aqui ?”
“Tem um tempo... eu estava no computador, mas vi que você tava tremendo e se contorcendo, aí vim pra cá ficar com você. Parece que ajudou, você parou.”
“... Então foi isso.”
“ O quê ?”
“Vem, vou escrever e você vai saber.”

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