terça-feira, 22 de junho de 2010

Linger

Ela, então, olhou pra mim com uma firmeza que eu jamais havia presenciado vindo daqueles olhos tristes, seus lábios se moviam preguiçosamente e as palavras eram o fluir de uma nascente abrindo caminho entre a terra e as matas. O brilho de seu olhar não apagou um segundo sequer enquanto suas palavras eram ditas. A firmeza parecia crescer com o tempo e por um momento me pareceu que estava olhando para uma pessoa totalmente diferente, alguém já adulto e marcado por anos de sofrimento. Pensei: “Será que ela é assim e finalmente está me revelando ?”, era difícil definir-la. Escondia como ninguém seu verdadeiro e sabia disfarçar as dores com um sorriso tremendamente caloroso. Mas a meu ver, ela não tinha mais a necessidade para isso, éramos apenas dois ali, nus debaixo da coberta. Eu me sentia tão indefeso e sabia, pelo abraço delicado e quente, que ela também se sentia assim. Ela finalmente se revelou por completo a mim. Não apenas seu corpo que eu já conhecia bem, mas também sua alma.

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