quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Kyoto Tansakugata

Havia pegado o ônibus direto para o centro da cidade, tinha saído do trabalho tão apressado que esqueceu sua mochila no armário e só fora se dar conta quando já estava em seu destino. O tempo estava gelado, não se lembrava de ter pego um ar tão gélido na cidade como aquele. A praça cintilava com as luzes artificiais e o ambiente estava relativamente quieto. Os barcos flutuavam e batiam uns com os outros a suas costas, mas ele não ligava. As pessoas passavam conversando e rindo a sua frente, mas ele pouco dava atenção. Sua cabeça estava baixando e suas mãos cruzadas. Com poucos intervalos, levantava a cabeça e varria o local com seus olhos antes de retornar a posição inicial impaciente, com longos suspiros. Estava ansioso como há muito não ficava e não imaginava que aquela ligação mais cedo poderia tê-lo deixado assim.

“Ei ! Como está ? E adivinha onde eu estou ?” – Dizia a voz suave e rouca do outro lado da linha.
“Eu estou bem... E você deve estar agora na fossa das fossas após ter brigado com o namorado para lembrar da minha existência.” – Severa era a voz do rapaz, com leve sarcasmo.
“... Pra começar não tem namorado nenhum. E eu to tentando te ligar há mó tempão, mas o celular só desligado ou você nunca me atende.”
“Por isso que eu gosto de você, sempre cai na pilha...”
“.... Como eu ia dizendo, adivinha onde estou ?!”
“Não sei...”
“Seu ânimo me impressiona ! A caminho de Angra !”
Naquele momento, o coração do rapaz começou a martelar e sua fala foi roubada. Percebeu, então, o quanto sentia falta daquela menina ‘espivitada.’ As horas que se passaram após a ligação foram eternas, como se alguém puxasse o ponteiro do relógio contra seu sentido.
Agora, lá estava ele. Havia se passado uma hora desde que tinha tomado seu lugar na praça e nada. Foi quando sua paciência estava limite e sua ansiedade estourando barreiras que algo quente tocou seu ombro. Ele levantou a cabeça pronto para explodir com o dono da mão, mas o que viu o fez perder o fôlego. O All-Star era o vermelho surrado de sempre, a saia pregada xadrez vermelha e preta caía até pouco acima dos joelhos. Uma blusa preta de manga cumprida permitia ver uma fina linha da barriga branca. Os cabelos castanhos jogados por cima dos ombros dava mais contorno ao rosto quase pálido, onde olhos verdes fazia contraste com a maquiagem escura.
- Meu Deus, pensou o rapaz. Meu Deus, ela está da mesma maneira que eu lembro, então por que me sin...
- Não vai falar comigo ? A menina perguntou.
Antes de mesmo de conseguir pensar em algo, o rapaz já estava de pé, com a menina nos braços pressionando seus lábios contra os delas – Lábios quentes naquele frio incomum. O beijo foi se tornando mais intenso, a língua da menina buscava a do rapaz carinhosamente, o rapaz a segurava em um abraço firme, juntando os dois corpos, as mãos da menina caminhavam pelo corpo do rapaz, deslizando suavemente. Algum tempo se passou, o rapaz perdeu a noção de quanto e quando eles terminaram, a menina o fitou com olhos brilhantes e um sorriso nos lábios.
- Ê, alguém sentiu minha falta, hein ?
- Você não imagina o quanto, Gabi.

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