Tá dificinho de escrever algo. Pretendia começar um novo Arco hoje, mas parece que minha mente se perdeu em algum lugar longe dos portões do medo e tristeza. Parece ter sido aprisionada nos jardins da fantasia e romantismo. E com isso não é bom escrever algo. Romantismo e tristeza talvez. Medo e fantasia talvez. Mas fantasia e romantismo não mais. Mas pra você que interrompeu o que eu ia dizendo, continuarei.
Ela estava alheia a todos a sua volta e ao mesmo tempo se encaixava perfeitamente na pintura. Era tão pequenina e sonhadora com seus cachos despencando da bandana vermelha e sua jaqueta de couro refletindo e brilhando com os holofotes. Olhava para um lado, olhava para o outro. Parecia estar em busca de algo ou alguém, mas nunca conseguia encontrar e não se movia para procurar. Em sua volta, os motociclistas balançavam a cabeça e cantavam ao som de Freebird, enquanto ela permanecia imóvel com seus olhinhos buscando algo nunca encontrado. Havia ela se perdido dos pais ? Afinal era tão pequena e parecia indefesa no meio de tantos brutos. Só que havia algo diferente na pequena. Estava ali aparentemente perdida e mesmo assim mantinha os olhos firmes e uma expressão de liberdade. No meio do solo virtuoso de Freebird ela pareceu se dar conta de algo ( ou encontrado o alguém ) e saiu do meio do povo, seguindo para longe.
Estranho. Daria para ela 7~8 anos pelo corpo. Mas o olhar. Aquele olhar e aquela expressão não pareciam ser de uma criança. Eram... assustadoramente maduros.
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