- Você ainda pensa em mim como um monstro ?
- ... Eu nunca pensei em você assim.
- Mentira.
- ...
- Você me vê nessa forma e ainda tem medo de mim.
- Eu não a temo.
- Mentira.
Ossos ? Você me carrega no colo e eu consigo sentir protuberâncias desprendendo de sua fina pele. Mas isso não me assusta, nem o fato de sua pele não ter cor e eu conseguir enxergar os restantes músculos que ainda prendem como carne podre e não conseguem sustentar força nenhuma. O cheiro da sua carne pútrida não me faz tão mal quanto deveria, meu olfato já está acostumado com sua podridão. Seus olhos negros como a noite, serrado dentre pálpebras gastas e vermelhas me trazem um aperto no coração, mas não é medo. Seus membros disformes e pesados, por mais magros que sejam, não chegam nem perto de me apavorar. Sua boca, nem lábios para ser fechados ou beijados, apenas duas fileiras enormes com grandes caninos afiados não me trás medo. Sua aparência fora do comum não consegue fazer com que meu pêlo se arrepie. Sua voz gutural não faz com que meus músculos se contraiam. O que me assusta e apavora no fundo do coração, é o fato de eu estar amando algo como você.
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