sexta-feira, 16 de abril de 2010

Children on a Rainy Day

Ele caminhava
O Sol estava em ângulo centralizado a cima de sua cabeça
Ainda assim Ele caminhava
A paisagem não havia mudado durante dias, a mesma vastidão desértica salpicada com destroços de carros ou pedaços de uma auto-via há muito abandonada.
Sua boca estava rachada e sua pele repleta de bolhas formadas por queimaduras superficiais
Apesar do calor dilacerante, em sua pele escura não escorria uma gota de suor
Ele caminhava
Se encontrava agora abaixo de um via-duto que por pouco não se tornou areia e desabou com o mais leve sopro de vento
Projetava uma sombra confortável e rara naquela paisagem
Ele aproveitou para sentar-se e examinar seus pertences dentro de sua grande e surrada mochila
Com suas mãos coberta por uma luva de lã cortada nos dedos, pegou um pequeno cantil, e levou aos lábios secos. Bebeu menos do que o suficiente para se hidratar, mas o bastante para não morrer por falta de líquido. Sabia que Água era rara e deveria ser tratada como Ouro naqueles tempos.
A noite demorava a cair, como em todos os dias, mas para ele até mesmo em pleno meio-dia as cores do mundo eram crepusculares. Seus óculos escuros já haviam se moldado ao formato de seu rosto, já fazia parte de sua pele e carne. Levantou-se após guardar seus pertences.
Ele caminhava.

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