quarta-feira, 28 de abril de 2010

Stain

A sombra da cidade foi surgindo aos poucos abaixo das ramificações de nuvens.
Eles já tinham somado um bom tempo de caminhada, mas a cidade ainda estava longe do alcance deles.
Naquela estrada já era possível, às vezes, ver pessoas empurrando carrinhos com ferro-velho em direção oposta a deles. Ele parava alguns para realizar trocas que poderiam Lhe ser útil ao chegar na cidade. Ela, perguntava a todos que passavam como estava a situação por lá. A resposta era sempre a mesma: “Gente queimando, moça, enquanto os raios destroem nossas casas e os vândalos estupram nossas mulheres e crianças.”
Elisa tentava puxar assunto com Ele, mas a resposta nunca vinha, somente o silêncio O rodeava.
Vez ou outra Ele fazia uma observação aparentemente matemática que ela não conseguia entender por completo, para ela, que havia nascido no ‘Novo mundo’, aquela linguagem não tinha muito significado além de codificações que ela levaria a vida toda para desvendar, mesmo porque interesse ela não tinha nenhum. Para ela, naquele mundo tudo que você precisa saber é como manejar uma arma e saber o valor justo das Trocas.
Faziam pequenas paradas com longo intervalos entre elas, Ele molhava a boca e sentava-se em uma sombra perto, ela, rasgava um pedaço da carne-seca e mastigava com paciência, fazendo-a durar o maior tempo possível em sua boca. Oferecia a Ele, na maior parte das vezes ela recusava com a cabeça e dizia: “Tudo que preciso por agora é água, Filha.”
Ele não parecia preocupado ou incomodado com a bizarra paisagem a sua frente, como era ameaçadora, Ele a observava como observaria qualquer praia em um dia de sol fraco.

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