terça-feira, 13 de outubro de 2009

Gatsu

- Senhoras, para isso eu precisarei da ajuda de vocês. – As luzes ao redor de Deanborne se apagaram.
Por um longo minuto só as sete velas iluminavam os restos dos convidados já mortos ( E os morrendo ).
Click ! E as luzes geométricas se acenderam junto com a oitava vela. O sorriso agora era largo enquanto Deanborne enfiava com a ajuda de um funil pequenas sementes goela abaixo de suas convidadas. Elas não faziam a menor oposição ao gesto e nem sentiram-se incomodadas no momento. As luzes voltaram a se apagar e acender no palco, onde Deanborne se encontrava na mesma posição inicial: Curvado de forma que somente a circunferência vermelha de sua cartola fosse visível no meio das sombras.
Um a um, os olhos das mulheres começaram a virar até entrar em seus crânios. E um barulho fraco começava a implodir de suas cabeças. Era como rachar um ovo em uma frigideira. Só que na situação, o ovo eram crânios, e a força que os estavam quebrando eram flores brotando direto de seus cérebros, arrebentando a caixa craniana para encontrar seu caminho até a luz. Germinaram rosas muito vermelhas dos cérebros e ficaram ali. Ligeiramente caídas e repletas de espinhos.
Oito das doze.
Em algum lugar, finalmente, um grito de horror se expandiu no salão e em resposta aquele grito horrendo, a nona vela se acendeu. O homem que havia começado a gritar agora não conseguia parar. E para se juntar ao coro, os outros três ao redor da mesa também arreganharam suas bocas em gritos desesperados. Suas mãos estavam loucas tentando fechar seus maxilares, tremendo e descontroladas. Mas o grito só ia crescendo e a boca abrindo cada vez mais. Primeiro as ligações dos maxilares se partiram com um sonoro ‘treck’ Depois a pele foi se esticando até o extremo de sua elasticidade, logo estava rasgando como tecido baratos. Os gritos ainda ecoavam pelo escuro quando o rio de sangue desceu por suas bocas até o chão. Logo, quatro maxilares banhados em sangue se encontravam jogados no chão e nas cadeiras apenas cadáveres branquelos.
- E assim, nove se vão – Disse Deanborne. – Agora, para os que gostam de comer !
Outra vela se acendeu. Os dois homens e duas mulheres estavam rindo quando seus rostos feiosos foram iluminados, mas logo o riso se transformou em uma tosse pesada. A mulher, mais feiosas com cabelos crespos, depois de uma série longa de tosses, finalmente colocou para fora o que a tanto ‘entupia’.
Tripas caíram de sua boca aberta, seguida de seus órgãos. Tudo caia como uma cachoeira bizarra. Os pulmões, o coração, o estômago, o fígado, o baço, os rins e por fim os intestinos. Acontecera o mesmo com os demais. Logo, estavam todos secos por dentro com seus órgãos aos seus pés.
Dez.
Dez de doze, estava chegando ao final do ritual.

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