terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tea

- Está sendo mais rápido do que eu imaginava, e para ser sincero, mais tedioso do que prometido. – O riso que se seguiu era seco. Sem humor.
No fundo do salão, uma vela se acendeu.
- Vocês ! Deixem-me descontar minha frustração, ok ? Prometo que não irá doer... Muito. – Aquele sorriso frio, nasceu novamente de seus lábios.
Começou como uma leve picada de mosquito. Incômoda e persistente. Mas ao tudo se entendia que com uma coçadinha iria passar. Esse era o pensamento, pelo menos até perceberem que estavam coçando a carne de seus braços e não mais a pele; Pois a pele já tinha sido arrancada a muito. A coceira se espalhou por todo o corpo, e insanamente eles coçaram; coçaram até não restar mais o que coçar. Logo se cansaram e quando pararam para sentir perceberam que tinham esfolado todo o corpo e a dor era insuportável. O gritos seguiram logo depois com a percepção. A voz foi sumindo e a vala queimando.
- Seisinho – Cruzando os braços a frente do peito, finalmente abrindo os olhos. Deanborne agora dava um passo a frente – Estranho. Imaginei que a cada vela eu escutaria gritos de desesperos vindo de todos os lados. Decepcionante.
A sétima vela se acendeu. Ao seu redor todos estavam em cadeiras de rodas, com agulhas perfurando suas veias, levando até elas nada mais do que vinho. Eram velhos, com a pena grudada em ossos, quase não tinham mais músculos e os poucos que tinham estavam gastos com a idade. Dentes não tinham e os olhos estavam fundos em suas órbitas. Pareciam ter 120 anos de idade. Todos decadentes e moribundos. Uma toalha extremamente vermelha ficava colada a barriga de cada um. O vermelho era puro sangue e por não suportar mais conter, já estava pingando em pequenas gotas até o chão.
- Morrendo ! E tendo seu precioso sangue substituído por vinho da mais pura qualidade. Ah, sim, queridos. Tenho uma queda forte por vinhos.
Sete das doze.

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