terça-feira, 13 de outubro de 2009

Living Dolls

O cenário está preparado.
Os garçons caminham em silêncio para cada uma das doze mesas do grande salão. Realizam seu trabalho como fantasmas; retiram os pratos vazios e os substituem por uma grande vela vermelha. Vão e retornam com quatro taças para cada mesa, pois é o exato número de pessoas em cada. Após o término de seu trabalho, todos retornam para as sombras de onde vieram. As luzes do grande salão agora vão se apagando vagarosamente. Apenas as chamas bruxuleantes das velas iluminam o rosto dos convidados. Com um click e um grande palco é revelado a frente de todos por luzes cúbicas que vêem do teto.
- Boa noite, meus queridos convidados – Um homem com enorme sobretudo e uma longa cartola se encontrava exatamente no meio do palco – Fico honrado de tê-los aqui.
Todos no salão o fitaram por um momento até que ele continuou seu discurso:
- Me chamo Deanborne. E a troco da boa vontade de todos ao comparecerem aqui, irei demonstrar a vocês algo jamais visto. Um espetáculo imaculado proibido por muitas divinidade e suas respectivas crenças. É lastimável, devo dizer ! Pois embora o terror seja o principal tópico de tal privilégio o prazer e diversão é sua meta final ! O chamam de muitos; Circo do Bizarro, Palhaço Dos Deuses, Teatro dos Pesadelos, Mão Do Demônio. Mas o nome é o menor de seus atrativos. Preparem-se, queridos. Pois uma vez dentro, não há volta.
Deanborne abaixou sua cabeça e fechou seus olhos; para a selecionada platéia só era possível enxergar um fino aro vermelho vindo de sua cartola, o resto era apenas escuridão envolta por luzes azuis.
Uma a uma, as grandes velas vermelhas foram se apagando e alguns segundos depois, as trevas tomaram conta do salão. Silêncio, nada se mexia ou era ouvido, apenas o pesado silêncio dominava. Deanborne continuava em sua posição, estático como se estivesse vivido ali o tempo inteiro.
Como um trovão um grito estridente rompe o silêncio e segundos depois, quando o eco já não existia mais, uma das velas voltou a ecoar sua luminância.
- Ora, ora. – A voz grave de Deanborne se espalhou pelo salão enquanto ele erguia a cabeça com um sorriso quase inexistente.
“I'll take your secret to my grave, for evermore, I'll be your slave.
Because I'm spellbound”

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